O drama de Timor

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008




Desde sempre nutri um grande carinho, simpatia e apreço por Timor e pela sua causa.
A proximidade da língua, a partilha da mesma religião, o tratamento fraterno que sempre tivemos reciprocamente, faz com que Timor seja um “cantinho” português situado entre o Índico e o Pacífico.
Sempre muito sofridos, com muitas dificuldades, perseveraram na vontade de ser livres! Que sentimento tão nobre, o desejo de liberdade!
Uma ideia defendida com o risco da própria vida. Tenho ainda bem presente o massacre do cemitério de Santa Cruz, apesar de ser muito novo na altura, aquelas imagens que correram o mundo ficaram vincadas na minha memória, mas sobretudo no meu coração.
É um país que merece viver na luz da felicidade e nas trevas da guerra e da morte. O próprio nome Timor Lorosae que significa em Tétum “País do Sol Nascente” é de uma positividade marcante e que estabelece a própria personalidade de um povo.
Destaco entre todos os ilustres timorenses, dois, que, pela sua entrega, força, dedicação, convicção e determinação, entrega e exemplo, foram e continuam a ser determinantes na formação de um país livre: Xanana Gusmão e D. Ximenes Belo.
Os dois lutaram separadamente, mas lado a lado pela mesma causa. Um, o primeiro, lutou de forma apaixonada, guerrilheira, onde a lei da força e do sacrifício o levaram a fazer coisas verdadeiramente impressionantes, que lhe granjearam o apoio, admiração e o carinho quer dos timorenses quer de toda a comunidade internacional. Foi um dos símbolos da causa timorense.
O outro, D. Ximenes Belo, lutou igualmente de forma apaixonada seguindo no entanto a via pacífica, e do diálogo. Lutou até à exaustão, até onde as forças permitiram (ficou muito debilitado a nível de saúde no final desse processo todo tendo vindo para Portugal receber tratamento hospitalar…).
Foi esta dedicação que lhe granjeou um merecido prémio Nobel da paz no ano de 1996, juntamente com Ramos Horta. Sempre muito embrenhado na questão da libertação, foi um activo defensor das minorias e a voz que o povo não tinha junto da comunidade internacional.
Como se sabe, a república democrática de Timor Lorosae é marcada por uma forte cultura religiosa, em que a Igreja Católica assumiu e assume um papel preponderante de evangelização, ensino e cultura. Sempre se mostrou e esteve de facto junto dos mais pobres, dos mais necessitados, oferecendo mesmo, em alguns casos, abrigo a muitos fugitivos, recolhendo-os nas suas instalações.
Mesmo quando se pensava que tudo se iria resolver, ou seja quando se viu livre do jugo Indonésio, afinal a instabilidade continuou…
As milícias civis continuaram a tomar conta das vastas florestas e montanhas timorenses e daí irradiar a sua influência para as cidades e aldeias. De há sensivelmente dois anos para cá foi o Major Alfredo Reinado (um desertor da Polícia Militar) quem comandou a resistência daquilo a que ele chamava de “falsa república democrática”. Esta tensão permanente, que durara mais de dois anos, teve no passado dia 12 de Fevereiro um desenvolvimento que mais que certezas traz dúvidas.
O atentado pensado e executado por Alfredo Reinado, não teve o efeito desejado deste, antes pelo contrário resultou na sua morte.
Será que agora, Timor vai encontrar finalmente a paz tão merecida, a estabilidade tão desejada, e o desenvolvimento que se prometia?
Será que a morte deste ícone dos novos revolucionários, não vai despertar uma onda de violência, instabilidade, revoltas e contra-revoltas?
Será que Timor vai finalmente deixar de viver o drama que há muito conhece para passar a viver uma vida própria, saudável, num clima de desenvolvimento, paz e solidariedade?
Sinceramente espero que sim, e que, daqui a uns anos, possamos ver em Timor um exemplo de um país que soube crescer, que se soube desenvolver e acima de tudo que nunca renegou as suas origens.


Por Fernando Catarino

in Jornal Terra Quente

3 Disseram...:

A Flôr disse...

Oi amigo! :)

Vejo que continuas com as tuas crónicas no Jornal Terra Quente...

Também eu tenho um enorme carinho por Timor... é um povo sofredor.. mas que não desiste....

Que Timor possa vir a tornar-se numa grande Nação.... aquele povo merece!

Obrigado pelas tuas orações! :) Estou mesmo a precisar, pois sinto-me mesmo "em baixo"... mas Jesus irá cuidar de mim!...


Tem uma semana muito boa e que tudo corra conforme desejares

Flor deixa um beijo fraterno

Diabólica disse...

Olá caro amigo,

Continuas a ser uma pessoa muito sensível.
Também sempre fui uma grande defensora da causa de Timor, da perseverança do seu povo... enfim da sua coragem.

Espero, muito sinceramente que em breve as coisas melhorem e se resolvam por lá.

P.S- Gostava de te convidar a ires ao meu cantinho, para comentares um texto de mais um cidadão que já está farto destes nossos governantes, do nosso Estado.

Enfim, digno de ser lido!

Claudia Sousa Dias disse...

esperemos que sim...


CSD